Sabe aquele lugar onde geralmente suas decisões são tomadas, aquele lugar onde os anseios e desejos do seu coração voltam a se alinhar? Onde de repente, os problemas e dificuldades da vida são drasticamente enfraquecidos pela perspectiva de uma nova realidade.
É assim no asfalto, desconectado do resto do mundo, dos horários e reuniões, dos intermináveis compromissos. Plugado através de um fio branco, com a mente ocupada apenas em calcular batidas cardíacas e kilômetros por minuto.
Percorrendo aqueles kilômetros setados pelo meu treino, buscando alcançar uma imaginável linha de chegada que põe fim à maior distância alcançada, no menor tempo possível.
Em alguns momentos usufruindo a sensação de bem estar proporcionada pela endorfina liberada no meu corpo, em outros muitos, diante da dor, administrando a batalha travada entre a terrível tentação de interromper a corrida versus a incansável persistência de concluir o percurso, de melhorar uma marca.
Percebeu que já estamos em março? O carnaval já acabou. Ainda posso sentir o sabor do delicioso jantar de ano novo…
A pós-modernidade nos propõe uma vida absurdamente corrida, onde as 24 horas do dia ficaram curtas diante da quantidade de atividades que estamos nos propondo a fazer. A sensação é que a vida ficou mais curta.
É o trabalho que consome a maior parte do seu tempo, sua família precisa de você, seu currículo não pode ficar desatualizado sem aquele MBA durante as noites da semana, a ONG que você ajuda se reúne toda quarta-feira, o indispensável futebol com os amigos, o curso de inglês, o curso de francês.
E qual dia e horário tem reservado para você? Não para mais um compromisso em sua agenda, mas sim para ouvir seu coração, alinhar seus sonhos e frustrações, tratar suas feridas.
Seja correndo no asfalto, deitado no silêncio do seu quarto, fotografando os movimentos da cidade, tocando o solitário violão ou simplesmente dirigindo seu carro naquela pequena estrada escura à caminho do final de semana. Você precisa deste tempo a sós com você, precisa ouvir seu coração. Lembre-se que um dia talvez não dê mais tempo.
Realmente precisamos destes momentos. Momentos que deixamos nosso suor, nossos anseios e preocupações. Momentos que possamos nos desconectar do mundo ao nosso redor, onde conseguiremos ouvir nosso próprio coração, que tantas vezes tenta nos dizer algo enquanto estamos entretidos com todas as inadiáveis atividades da agenda.
É lá, que sob a ótica da transpiração tenho enxergado meus verdadeiros sonhos, tenho aliviado minhas angústias, analisado meus próprios erros, valorizado os meus acertos, ajustado minhas rotas.
Tenho escutado meu coração no asfalto.
Demora para escrever, mas quando escreve, ein?…
Difícil comentar, especialmente devido à intensa identificação que ocorreu entre as minhas angústias e algumas linhas escritas aí.
É. O tempo está correndo.
Fico feliz de saber que você encontrou uma maneira de correr atrás dos seus anseios.
Espero que em cada passo, com a força do atrito da sola com o chão, você consiga descontar as frustrações que o próprio correr (da vida) te traz.
É fundamental ouvir o coração, e quando a gente corre o coração grita e não há como não ouvir.
Keep in tune! rss
hum… interesting
uma vez eu li (lógico que não lembro onde) que um dos nossos grandes receios é esse encontro com o eu. Encontro indispensável, mas temido pois as vezes temos medo de nos conhecer… achei bem interessante e agora ao ler seu texto lembrei muito disso….
espero que esses momentos no asfalto nos traga mais de seus textos…

bjs Kika
Dani, que lindo! muito bom!! a foto tb eh sua?! concordo com tudo..tenho sim meus momentos a sos, varios, preciso deles, assim como o sono..a vida ta tao agitada que vamos acumulando as horas nao dormidas, sem escutar o corpo até que compromissos soa perdidos por força maior. o corpo fala, o coracao fala e eles sao bem sabidos..a gente que tem que desacelerar pra escutar..keep writing. bjks
Alguns Kms pela frente, um dia ensolarado, uma boa música no iPod e pronto, tudo perfeito, agora é você e o asfalto e ai ocorre uma fantástica contradição, é correndo que tudo se acalma!
Abraços!